Albufeiras e Barragens


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Percorrendo os caminhos que delimitam a Sul as terras de Entre LOusã e Zêzere, poderemos traçar um percurso de albufeiras e barragens em que a água - em anos de maior invernia - impera sobre todos os outros elementos.

Iniciando o passeio pela Foz de Alge observaremos o desaguar das águas desta Ribeira no Rio Zêzere, apreciando as suas margens verdejantes e as ruínas das antigas Ferrarias que em época de maior secura estão acima do nível do rio. Para um fim-de-semana mais longo, o Parque de Campismo oferece óptimas condições.

Seguindo de Figueiró dos Vinhos em direcção à localidade das Bairradas, ainda neste concelho, encontraremos a Barragem da Bouçã, local bastante aprazível para um piquenique e na Barca do Bispo para a pesca dos deliciosos peixes do rio como o achigã, a boga ou o barbo.

Percorrendo o sinuoso traçado viário até Pedrogão Grande, deparamos com a Albufeira e Barragem do Cabril.
Esta, pela sua dimensão exige uma maior permanência e permite desfrutar de outros encantos. Nas suas águas deparamo-nos com uma piscina flutuante que para além da frescura de um banho, permite um encontro fortuito com os peixes que aí habitam. Para os amantes da pesca os locais para lançar o isco são infindáveis e, é também possível a prática de desportos náuticos.
O parque de campismo e o restaurante -mesmo ao lado- possibilitam uma estadia mais longa.

Os caminhos que calcorreiam as margens levam-nos por entre o pinhal de encontro à "ilha" - local mágico aonde podemos ouvir o som do rio, numa cadência que nos embala.

Outros caminhos levam-nos também à ponte filipina, às ermidas da Senhora dos Milagres ou, para os mais corajosos, ao santuário da Nossa Senhora da Confiança. Outros locais estarão ao sabor da nossa vontade de descoberta. Em qualquer destes lugares a paisagem é deslumbrante. A própria Barragem, estrutura imensa em betão, suscita a curiosidade e com um pouco de sorte observaremos uma descarga de água podendo constatar assim a força e energia que provêem do rio.

Um pouco mais a norte, no concelho de Pampilhosa da Serra, as águas do Rio Unhais encontram um sumptuoso obstáculo ao seu livre curso: a Barragem de Santa Luzia. Trata-se de um local paisagisticamente bastante aprazível e, a sua Albufeira, convida à prática de desportos náuticos ou simplesmente a um refrescante mergulho na piscina flutuante, junto ao casal da Lapa.

Ainda a norte deste concelho flui um outro rio - o Rio Ceira - também ele represado pela Barragem do Alto Ceira, que após a queda da represa de betão, segue o seu curso escavando cerros profundos e agrestes.

Delinear um roteiro das barragens é percorrer o perímetro do território, num circuito repleto de emoções.


Fontes: Imagens - Site oficial do Município de Figueiró dos Vinhos em www.cm-figueirodosvinhos.pt/;
AS/Dueceira e Site Pampilhosa em Imagens em
www.pampilhosaemimagens.com
Texto: site “Pampilhosa da Serra – Século XXI - os Desafios da Água” em www.desafiosdaagua.com.sapo.pt e
“Entre a Serra e o Rio… Os trilhos ELOZ” – Dueceira, 2000.

Especificidades Técnicas

Barragem da Bouçã

A albufeira da Bouçã está implantada no rio Zêzere, compreendida entre as albufeiras do Cabril, a montante, e de Castelo de Bode a jusante. Possui uma área superficial de 500ha com uma profundidade média de 20 metros.

Trata-se de uma albufeira destinada essencialmente à produção de energia eléctrica. No entanto começa a ser procurada para diversas actividades de cariz desportivo como é o caso da pesca, canoagem, percursos pedestres, BTT e TT.

Também nesta albufeira serão implementados, ainda durante esta época balnear, parques de merendas que privilegiam o contacto com a natureza, o descanso e lazer.

Barragem do Cabril

A albufeira da Barragem do Cabril, é a maior reserva de água dos concelhos de Pampilhosa da Serra e Pedrógão Grande.

Barragem construída em 1954, tem um formato em abóbada com 136 metros de altura e possui uma albufeira com 55 Km de comprimento. Nas margens dos seus 2023 ha, crescem tipicamente pinheiros e folhosas, sendo que a sua principal característica é a uniformidade do coberto vegetal das margens.

Esta albufeira apresenta dois braços, correspondentes aos rios Unhais e Zêzere, bem como alguns afluentes de pequena dimensão.

No que respeita ao uso, serve essencialmente para abastecimento doméstico, produção de energia eléctrica e recreio.

Barragem de Santa Luzia

A Barragem de Santa Luzia é nitidamente uma barragem de montanha. Com os seus 76 metros de altura e uma coroa de 178, configura na perfeição o tipo de barragem em zona de alto desnível.

Segundo a EDP na sua "História da Electricidade", a Barragem de Santa Luzia construída em 1942, serviu, na época, de verdadeiro ensaio geral ao futuro programa de electrificação nacional. Foi também sobre a Barragem de Santa Luzia que foi feito o primeiro estudo em Portugal do modelo reduzido de uma barragem.

Construída entre dois rochedos de dimensões ciclópicas, é alimentada pelo Rio Unhais e pelo Rio Ceira, através do túnel da Malhada do Rei.

Barragem do Alto Ceira

É talvez a barragem menos conhecida das Terras de Entre LOusã e Zêzere, mas nem por isso menos rica em termos ambientais. É rodeada de frondosos arvoredos e só de longe se aprecia a rara beleza do local. Era, até meados dos anos 90 do século XX, um dos reservatórios de águas mais puras de Portugal. A montante todos os ribeiros se apresentam sem qualquer tipo de poluição e nem as aldeias que os rodeiam causam qualquer tipo de dano na sua bacia.

A Barragem do Alto Ceira é constituída por um dique de abóbada delgada com 36 m de altura. A bacia hidrográfica tem 38 Km2 e a albufeira recebe água vinda da Barragem da Castanheira (Arganil), conduzida através de 3257 m de túnel. Por sua vez, da Albufeira do Alto Ceira parte um túnel de derivação com um comprimento total de 6945 m, que permite a transferência de água para a albufeira de Santa Luzia, no rio Unhais. Desse ponto, é desviada água para a mini-central do Esteiro, de onde a água é de novo lançada no rio Zêzere, que por sua vez, a conduz até à Barragem do Cabril.

Rio Zêzere

O Rio Zêzere é um rio tipicamente português. Nasce na Serra da Estrela, a cerca de 1900 metros de altitude junto ao Cântaro Magro, indo desaguar a Oeste de Constância, após cerca de 200 quilómetros. É um afluente da margem direita do Rio Tejo e é, logo depois do Rio Mondego, o maior rio que nasce em Portugal.

Os seus principais afluentes pelo volume de água na margem direita são: o Rio Alge, o Rio Cabril, o Rio Unhais, o Rio Nabão, o Rio Paul e o Rio Pêra.
Na margem esquerda encontramos os seguintes rios: o rio Bogas, o Rio Caria, o Rio Isna, o Rio Meimoa, o Rio Sertã e o Rio Teixeira.
Da sua bacia hidrográfica com 5043 Km2, 1056 Km2 pertencem ao Nabão. Os grandes desníveis, aliados ao volume de água (por vezes superior a 10.000 m 3/s.), representam notável riqueza hidroeléctrica, aproveitada em quatro barragens (Bouçã, Cabril, Castelo de Bode e Constância), que produzem anualmente 700 milhões de quilovátios/hora.

Rio Ceira

O Rio Ceira é um afluente do Rio Mondego que nasce numa região denominada Alto Ceira, a norte do concelho de Pampilhosa da Serra e do concelho de Arganil, próximo da localidade de Malhada Chã.

Nesta região, o Rio Ceira foi até há alguns anos atrás um local sem poluição, onde abundavam espécies como a Truta, o Bordalo e a Enguia, e as águas límpidas eram sinónimo de pureza.

Mais a sul na zona do "Poço da Cesta" na fronteira entre Arganil e a Pampilhosa da Serra, o Ceira mostra a sua grande beleza e com níveis de preservação já pouco comuns em Portugal.

Rio onde ainda habitam algumas trutas, tem nos últimos tempos sofrido importantes danos devido ao facto de a Barragem do Alto Ceira condicionar a quantidade de água no seu leito. O motivo desta alteração centra-se pois na barragem, sendo que esta infra-estrutura está inserida no complexo hidroeléctrico da Barragem de Stª. Luzia, localizada no Rio Unhais, para onde é canalizada água através de túneis, e assim o rio a jusante dos mesmos sofre alterações.


Fonte: site “Pampilhosa da Serra – Século XXI - os Desafios da Água” em desafiosdaagua.com.sapo.pt