Arte da Pedra do Gondramaz


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Subindo a Serra da Lousã, a partir da vila de Miranda do Corvo, encontra-se o Gondramaz, uma aldeia de xisto onde o tempo parece ter parado.

Chegados perto do cimo da montanha, ergue-se do solo a aldeia que, de uma forma envergonhada, se vai mostrando através da vegetação.

A sensação é esmagadora. Todos os sentidos são estimulados. A visão é imaginária. Parece que estamos a caminhar sobre os telhados. A sinalética indica-nos os pontos de referência da aldeia e dá-nos a conhecer os seus segredos.

A audição é envolta de um som forte, de uma música, de uma pauta escrita pelo som emitido pelas asas das abelhas. O cheiro extasia-nos, um odor forte, intenso, ao verde da natureza. O sabor envolve-se no gosto delicioso das castanhas que poisam no chão.

Ao fundo da aldeia um som ríspido de um matraquear cadenciado… alguém trabalha pedra, uma arte feita da sua dureza, talhada, porém, com o amor que sai das mãos do artesão… As estátuas do Gondramaz já são uma referência, um ex-libris local. Evocando Santos ou figuras populares mais brejeiras, têm em si a sabedoria dos tempos, da natureza, da vida.

Vale a pena ficar à conversa e perceber o sentido da forma que nasce, entender o processo de criação da obra, compreender os materiais e a alma do artesão.

Visitada a aldeia, subsiste um novo convite, o de percorrer a pé os caminhos da serra. Durante a subida, vamo-nos apercebendo de vários pontos de miragem sobre a vila e das encostas das montanhas, de uma beleza rara, de vegetação que vai escorrendo e envolvendo a íngreme depressão até ao sopé, terminando numa euforia de verde.

A fauna, esconde-se no embrenhado da flora, mostrando-se aqui e ali timidamente.

Veados e javalis dividirão com o aventureiro os caminhos pedonais que se abrem diante dos nossos olhos e que nos guiam neste passeio pedestre.

Chegados à cumeeira, abre-se aos nossos olhos, uma pintura dos deuses. As elevações e as depressões, as várias tonalidades de verde, toda a paisagem parece não ter fim e os olhos ficam cheios de tanta beleza.

O percurso continua, sobre caminhos de terra batida, encaminhando-nos, em descida, à aldeia abandonada do Cadaval. Mais um exemplo magnífico da típica aldeia serrana. Embora abandonada e vítima de um grande incêndio que a devorou, a aldeia ainda guarda o testemunho de ruelas e de paredes em xisto que encerravam as inúmeras casas. A paisagem convida ao descanso e à contemplação.

Caminhando mais um pouco, regressamos ao ponto de partida.


Fonte: Site Oficial do Município de Miranda do Corvo em www.mirandadocorvo.com [texto adaptado]
Imagens: AS / Dueceira