Castanheira de Pera

 

Registos do Passado no Concelho de Castanheira de Pera
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As origens da vila remontam a 1135 e em 1206 D. Pedro Afonso, filho bastardo de D. Afonso Henriques, concedeu-lhe o foral, que foi renovado por D. Sancho I em 1217.

Concelho arrebatado às terras de Pedrógão, Castanheira de Pera surge como consequência directa da Revolução Industrial, na época em que o Visconde de Castanheira de Pêra dá trabalho e casa ao povo da vila.

A região teve, desde sempre, tradição na indústria de lanifícios, tendo sido construída uma fábrica no século XIX, em 1860, movida por roda hidráulica, que se destacou pela qualidade dos seus produtos. Mais tarde, transformou-se no terceiro centro da indústria de lanifícios do país. Este desenvolvimento industrial foi complementado pelo desenvolvimento das vias de comunicação, por intermédio do visconde de Castanheira de Pera, António Alves Bebiano.
Das grandes fábricas do fim do século XIX restam hoje apenas paredes e máquinas que formam um núcleo importante de arqueologia industrial, bem como a chaminé da Fábrica dos Esconhais.

Melhor conservadas estão as inúmeras casas solarengas existentes na vila e nos arredores.
Castanheira de Pera foi elevado a concelho a 4 de Julho de 1914.

Na vila, apresentando muitos traços setecentistas, a Igreja Matriz (dedicada ao padroeiro São Domingos) eleva-se sobre uma ampla escadaria encimada por um antigo cruzeiro. No seu interior, uma peça do século XVI, talhada em pedra e representando a Santíssima Trindade, faz as honras do templo.

A caminho da serra é possível visitar aldeias com sabor a passado, descobrindo pelos seus recantos o modo de vida próprio das gentes do mundo rural. No Coentral Grande, a Igreja Matriz encanta pela sua traça simples e enquadramento airoso face ao povoado.

Mas, o que identifica e traduz a História de Castanheira de Pera é o Alto do Santo António da Neve, pico da serra onde se situa a Capela (com o mesmo nome) e mandada edificar em 1787 pelo Neveiro-Mor da Casa Real, Julião Pereira de Castro. Junto à Capela situam-se os Poços do antigo Real Neveiro, local onde o gelo era conservado para depois ser transportado por ronceiros carros de bois até Constância e em barco, rio Tejo abaixo, até Lisboa num trajecto cheio de pesares e dificuldades.

O gelo viria depois a ser utilizado na copa e adega do Rei e em cafés reputados da capital. Dos sete poços iniciais (construídos na pedra de xisto, típica da região), resistiram ao tempo somente três, herança presente de uma época árdua para os povos serranos.
De entre outros vários monumentos destacam-se: as Ermidas de Nossa Senhora da Guia, São Sebastião e Nossa Senhora da Nazaré; o jardim da Casa da Criança Rainha D. Leonor; as esculturas que povoam os largos e rotundas com especial relevo para o monumento ao Vento e a Estátua da Princesa Peralta, o Museu do Lagar, localizado na Praia Fluvial do poço Corga e ainda a Casa do Tempo.

As aldeias de Coentral Grande, Pera, Pisões, Gestosas, Carregal, Cimeiro, Moita e Sarzedas de S. Pedro, entre outras, constituem por si locais de interesse e que conservam a traça arquitectónica original.