Lousã

 

Registos do Passado no Concelho de Lousã
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A vila da Lousã, situada na base de um dos ramos da serra do mesmo nome, no distrito de Coimbra, é uma povoação antiga, mas de passado pouco conhecido, pelos escassos documentos que chegaram até nós.
Sabe-se, por documento directo e autêntico (Foral de D. Afonso Henriques, dado ao Castelo de Arouce) que já existia, e tinha uma certa importância, nos princípios da primeira dinastia portuguesa.

Não era no lugar onde hoje assenta, mas escondida no interior das serras a 2 quilómetros da actual vila, edificada no alto duma pequena colina, espécie de península, circundada pelo Arouce ou Arunce, ribeiro que nasce na mesma serra e agora é vulgarmente conhecido pelo nome de Ribeira de S. João.

Neste lugar, onde existiu a antiga povoação até ao século XIII ou XIV, encontra-se ainda uma parte do castelo e a sua torre de menagem com ameias, muito bem conservada.

Em vários pontos próximos vêem-se ainda ruínas de numerosas habitações. Sobre a origem e fundação desta terra há versões diversas, sendo algumas mais ou menos lendárias. Miguel Leitão de Andrade, historiador do século XVII, na sua "Miscelânea", diz que reinando em Colimbria (Condeixa-a-Velha) nos tempos de Sertório, Arunce, este, sendo derrotado em guerras e procurando lugar seguro para guardar sua filha, a Princesa Peralta e os seus tesouros, construíra ou encontrara abandonado o castelo a que deu o seu nome e mais ao ribeiro, que ainda hoje o conserva.

De Arunce faz derivar o moderno nome da Lousã pelas modificações sucessivas que julga se deviam ter dado em razão do modo de pronunciar dos povos que a habitaram; assim, de Arunce ou Arouce passou a Alunce ou Alouce, depois a Aloçan, em seguida a Alouçam ou Louzam e finalmente a Louzaa, Louzaã e Louzan, ou Louzã, como agora se diz, tendo contudo o seu grafismo sido definitivamente fixado em Lousã.

Verdadeiro ex-Libris destas paragens, o Castelo de Arouce, classificado como monumento nacional, surge, pois, altaneiro sobre as Ermidas e a Piscina fluvial da Nossa Senhora da Piedade, encaixado no vale do rio que lhe dá o nome e apresentando preservada a sua muralha e torre de menagem construídas em pedra de xisto no século XI.

A Lousã prosperou no século XVIII, época em que grandes famílias nobres edificaram as suas moradias no sopé ensolarado da Serra. No núcleo histórico da vila e nos arredores imperam belos edifícios com fachadas longas, janelas emolduradas de cantaria e portal nobre encimado com o brasão dos seus proprietários. São exemplos dignos destes solares o Palácio dos Salazares, que pertenceu à Viscondessa do Espinhal, as Casas de Cima e de Baixo dos Almeida Serra, a Casa Furtado Mesquita, a Casa do Fundo da Vila, a Casa do Comendador Montenegro, a Casa da Quinta de Santa Rita, o Palácio do Conde de Foz de Arouce e, ainda, os solares em Fiscal, de que constitui exemplo o Solar dos Quaresmas.

No centro da Lousã, junto ao Edifício da Câmara Municipal (cujo interior se encontra recheado de azulejaria tipo barroco), destaca-se o Pelourinho, existente nos Paços do Concelho, que fica na área fronteiriça entre a parte antiga e o novo aglomerado urbano, sendo este um monumento nacional que apresenta a gravação de rostos humanos unidos entre si.

Dedicada a São Silvestre, padroeiro da vila, a Igreja Matriz, é um edifício que embora recente nos encanta, tanto pela sua arquitectura como pelo aprazível largo que a ladeia.

A Misericórdia, composta por Capela e Casa de Despacho, constitui o edifício mais antigo do núcleo histórico remontando à era quinhentista a sua edificação (século XVI).

Nos arredores também são inúmeros os motivos de interesse. Em Foz de Arouce, junto à confluência deste rio com o Ceira, um padrão comemora a retirada de Massena em 1811, aquando das invasões napoleónicas.

No início do século XIX, com a retirada da terceira Invasão Francesa, após a derrota, várias casas e igrejas foram saqueadas. Contudo, em 1906, com a inauguração do caminho-de-ferro e posterior inauguração da energia eléctrica, o concelho teve um desenvolvimento crescente.

Em Serpins, a obra de Gustave Eiffel encontra-se retratada na ponte do caminho-de-ferro.

O século XVIII foi um século marcante para a Lousã, principalmente pela instalação da indústria, nomeadamente a de papel de grande qualidade, fornecido à Tipografia da Companhia de Jesus de Coimbra e, posteriormente, à Tipografia Académica e Casa da Moeda. Nas proximidades da Lousã, o Engenho de Papel do Penedo (sendo actualmente a Fábrica de Papel do Prado) apresenta-se como sinónimo da época próspera do mercantilismo. Este engenho, fundado em 1715 por um italiano chamado Ottone, mereceu a atenção e auxílio do Rei através do seu Ministro Conde de Ericeira e, mais tarde, através do próprio Marquês de Pombal.